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O robô que tiveram de “despir” para provar que não era gente

O IRON, humanoide da fabricante chinesa Xpeng, andava tão bem que meio mundo achou que havia uma pessoa escondida lá dentro. Um ano depois, já sai sozinho da linha de montagem.

 

Em novembro de 2025, a fabricante chinesa de carros elétricos Xpeng apresentou a nova geração do seu robô humanoide, o IRON, num evento para a imprensa. O andar era tão fluido e natural que, em vez de admiração, a primeira reação de muita gente nas redes sociais chinesas foi desconfiança: “isto só pode ser uma pessoa disfarçada lá dentro.”

Uma polémica que obrigou o CEO a intervir

A dúvida espalhou-se tão depressa que se tornou tópico em alta nas redes sociais chinesas. O presidente da Xpeng, He Xiaopeng, respondeu diretamente no Weibo, partilhando um vídeo sem cortes do robô e mostrando detalhes como os pés e o microfone junto às orelhas para provar que não havia ninguém escondido. Chegou a comentar, com humor, que a reação mostrava como a “genuína” novidade tecnológica ainda apanha as pessoas de surpresa.

Esqueleto, músculo, pele

A explicação para o realismo está na forma como o IRON foi construído. Em vez de motores rígidos típicos de robôs industriais, a Xpeng usa uma estrutura interna que imita a coluna humana, “músculos” biomiméticos no lugar de atuadores convencionais e uma pele sintética flexível que cobre todo o corpo. As mãos têm 22 pontos de articulação cada, permitindo manipular objetos com uma precisão próxima da humana, e a cabeça tem um visor curvo 3D que funciona como rosto interativo.

Debaixo da “pele” O cérebro do IRON são três chips de IA “Turing”, desenvolvidos internamente pela Xpeng, com capacidade combinada de até 2.250 TOPS (biliões de operações por segundo) — mais do que muitos computadores de secretária topo de gama. É essa potência que permite ao robô processar visão, linguagem e movimento ao mesmo tempo e em tempo real, sem depender de um computador externo.

De polémica a linha de produção

Dez meses depois da polémica, a Xpeng deu o passo seguinte: em setembro de 2026, colocou as primeiras linhas de produção do IRON a funcionar em Guangzhou, na China. Desta vez, o robô não estava a fazer uma demonstração — saiu a andar de forma autónoma diretamente da linha de montagem, com mais de 80% dos processos centrais da fábrica já automatizados. Este novo corpo tem 76 graus de liberdade e 21 em cada mão.

A empresa é clara: este comissionamento ainda não é produção em massa — essa só deve arrancar no final de 2026, com lançamento comercial previsto para 2027. Ainda assim, a divisão de robótica da Xpeng já atraiu mais de US$ 900 milhões em financiamento recente, avaliando o negócio em mais de US$ 6,3 mil milhões.

Porque é que isto importa

A Xpeng não está sozinha nesta corrida — Tesla, Boston Dynamics, Unitree e Figure disputam o mesmo terreno, cada uma a apostar que os robôs humanoides vão, em poucos anos, trabalhar lado a lado com pessoas em fábricas, lojas e até casas. O caminho da Xpeng é revelador: a empresa quer repetir com os robôs a mesma trajetória que teve com os carros elétricos — começar pelo espanto, passar pela desconfiança e terminar na linha de produção.

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