A caixa de velocidades de 8 mudanças que, na prática, não existe
O novo Honda Prelude chegou ao mercado com um truque de engenharia: simula mudanças de marcha, som de motor e até o "solavanco" da troca — sem ter uma caixa de velocidades de verdade.

Depois de mais de duas décadas fora de produção, o cupé desportivo Honda Prelude voltou ao mercado global em 2026 — mas não do jeito que os fãs dos anos 90 esperavam. A nova geração é híbrida, e o motor que fica sob o capô nunca vem acompanhado de uma caixa de velocidades mecânica de oito mudanças. Ainda assim, é exatamente essa a sensação que o condutor tem ao guiar.
O truque se chama S+ Shift
A tecnologia batizada de S+ Shift usa as patilhas atrás do volante para simular oito “mudanças de marcha”. O detalhe é que essas relações não existem fisicamente: o Prelude não tem transmissão escalonada, apenas o conjunto híbrido e:HEV, formado por um motor 2.0 a gasolina de ciclo Atkinson e dois motores elétricos.
Como se simula uma marcha que não existe
A resposta está no controle de torque. A Honda usa a capacidade dos motores elétricos de variar o torque instantaneamente para reproduzir não só o som de uma troca de marcha, mas também suas consequências físicas — inclusive o pequeno solavanco que um carro sentiria ao subir de marcha numa caixa automática tradicional. O som do motor também é sincronizado eletronicamente com o giro simulado, através do sistema de som ativo (ASC) da Honda.
Por que isso existe Híbridos com caixa do tipo e-CVT costumam sofrer do chamado “efeito elástico”: o som do motor e a aceleração real do carro não combinam, porque não há marchas de verdade prendendo o giro do motor à velocidade. O S+ Shift foi a forma que a Honda encontrou de devolver ao condutor aquela sensação mecânica — sem abrir mão da eficiência híbrida.
Um nome de peso para carregar a ideia
Não é a primeira vez que a Honda usa esse tipo de simulação — versões anteriores do e:HEV já tinham o “Linear Shift Control”, que ajustava as rotações do motor à velocidade do carro. O S+ Shift é uma evolução disso, e chega justamente num modelo carregado de peso histórico: o Prelude original estreou em 1978 e ficou fora de linha desde o início dos anos 2000. A nova geração usa o mesmo chassi de alta performance do Civic Type R e entrega cerca de 200 cv combinados.
No fim, o resultado é um carro que tenta reconciliar dois mundos que normalmente competem entre si: a eficiência silenciosa de um híbrido e a emoção mecânica de um desportivo old school — mesmo que, debaixo do capô, as “oito marchas” sejam pura simulação eletrónica.


